Ciúme patológico e mulheres que amam demais

É comum quando a gente se apaixona por alguém, querer passar todo o tempo com a pessoa, saber de tudo o que acontece com ela e tenha um certo ciúmes às vezes. Mas o que não é comum é quando esse amor vira obsessão, a ponto de levar a acontecimentos extremos como agressão, autolesão ou tentativas de suicídio, por exemplo. E isso é mais comum do que se pensa por aí. Estamos falando de um transtorno que atinge muitas homens e mulheres ao redor do mundo: o ciúme patológico.

Trata-se de uma síndrome em que se estabelece uma relação de dependência em função [email protected] [email protected], como se ele fosse uma droga. E como nos transtornos comportamentais de dependência, os sintomas podem ser os mesmos.

O ciúme patológico acontece quando a pessoa deixa de viver sua vida e impossibilita @ [email protected] de viver a sua também. Tudo por um medo excessivo de um possível término que é incontrolável. Assim, a pessoa que sofre desse transtorno passa a vigiar e querer controlar a vida da outra, e isso acaba virando um vício.

Isso acontece porque, no cérebro, as áreas de interesse e de obsessão são praticamente as mesmas, o que pode desenhar uma linha tênue entre o desejo e o excesso.

Uma pessoa que sofre de ciúme patológico ultrapassa essa linha e não consegue mais manter suas relações com amigos e família, nem desenvolver tarefas e atividades que não tenham relação com a pessoa amada.

Geralmente essas pessoas chegam a ter crises de culpa quando estão longe de seus parceiros, tornando-se impulsivas e compulsivas: é aí que o amor se torna algo violento e destrutivo.

Esse é o caso, por exemplo, do Mulheres Que Amam Demais (Mada), um grupo de apoio para mulheres que sofrem de ciúme patológico e que, sem ajuda profissional, não conseguem se livrar do transtorno.

Uma pessoa que sofre desse transtorno comportamental geralmente:

  • Demonstra sintomas de abstinência: semelhantes aos de dependentes químicos e outros transtorno, tais como agitação, falta de apetite, taquicardia e insônia.
  • Sente mais vontade de estar perto do parceiro do que ele gostaria;
  • Não consegue reduzir ou controlar o ato patológico de “cuidar” do parceiro;
  • Gasta a maior parte de seu tempo em energia tentando manter o parceiro sob controle;
  • Abandona suas atividades e convívio social;
  • Continua com o comportamento mesmo tendo noção dele, pois não consegue controlar essa conduta.

Assim como muitos outros transtornos comportamentais, o diagnóstico desse ciúmes em excesso é feito através de uma análise com um especialista, que irá identificar os pontos principais que podem diferir o ciúmes patológico de outros transtornos como a Transtorno de Personalidade Borderline, por exemplo. Isso já foi muito recorrente: há tempos atrás, se via o ciúme patológico como um sintoma desse transtorno, e não como uma patologia a parte.

Após o diagnóstico, caso a pessoa apresente os sintomas descritos (que geralmente já evoluíram para quadros de depressão, ansiedade, transtornos de personalidade e bipolaridade) é preciso iniciar o tratamento: e a terapia é indispensável. Por isso, é tão importante o acompanhamento médico.

O profissional irá trabalhar de forma atenta e paciente, a aceitação pelo paciente de que ele está fora do controle. Depois disso, é preciso também buscar conflitos que geram estes sintomas, que podem estar associada a situações do passado que possam ter desenvolvido na pessoa uma pouca tolerância à dor e ao sofrimento.

Pessoas que sofrem de ciúme patológico geralmente são incompreendidas pelos demais, que acham que é só uma fase e que ciúmes é algo normal. Muitos acham que a pessoa só precisa de força de vontade para “sair dessa”.

Algumas dicas para que uma pessoa tente não acabar desenvolvendo esse transtorno são: gostar mais dela mesma, não escolher parceiros para preencher vazios, buscar prazer na vida com atividades que lhe façam bem, e sempre pensar sobre que tipo de relacionamento quer ter na vida. Ou seja: seus relacionamentos devem acrescentar, e não preencher algo em sua vida!

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo!

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